24h de Le Mans
Sarah Bovy – Le Mans ainda é o sonho
Amanhã, como Grand Marshal das 24 Horas de Le Mans, Sarah Bovy estará acima do grid de largada em uma função que nenhuma mulher ocupou anteriormente na história da prova.
Para uma piloto cuja trajetória se tornou profundamente ligada a Le Mans por meio do projeto Iron Dames, trata-se de um momento histórico. Ainda assim, apesar do reconhecimento, o sonho permanece o mesmo.
Le Mans ocupa um lugar especial em sua imaginação desde que ela consegue se lembrar. Muito antes das arquibancadas lotadas, dos boxes e do rugido da multidão, havia uma adolescente observando uma fotografia presa à parede de seu quarto: um Bentley Speed 8 atravessando a Chicane Dunlop, assinada por Eric van de Poele.
Anos depois, ela própria passaria por aquela mesma curva.
“Lembro da minha primeira volta em Le Mans durante o Dia de Testes de 2021”, recorda. “Eu quase não acreditava, pensando: Sarah, você conseguiu. Você está em Le Mans.”
Com as Iron Dames, aquele sonho de infância tornou-se realidade.
Ao longo de sete participações consecutivas, as Iron Dames evoluíram de estreantes para verdadeiras candidatas a grandes resultados. A equipe completou todas as corridas que iniciou, liderou a prova, lutou por vitórias, alcançou o Top 5 e conquistou o respeito de adversários e fãs, demonstrando que um trio formado exclusivamente por mulheres poderia competir entre os melhores da maior corrida de endurance do mundo.
“Mostramos que uma equipe composta inteiramente por mulheres podia ser competitiva”, afirma Sarah. “Mais importante ainda, mostramos que mulheres no automobilismo não são uma questão de marketing. São atletas que querem competir no mais alto nível do esporte.”
As conquistas nem sempre foram medidas em troféus. Muitas vezes foram avaliadas pela mudança de percepção, pelas barreiras quebradas e por meninas que passaram a se enxergar em espaços onde raramente estavam representadas.
Neste ano, a ligação de Sarah com Le Mans continua inseparável do projeto.
“Você não pode separar Sarah Bovy, a piloto, de Sarah Bovy, a Iron Dame”, explica. “Toda a minha história em Le Mans foi construída com as Iron Dames.”
Talvez seja justamente por isso que sua nomeação tenha tanto significado. Não porque represente o fim de uma jornada, mas porque celebra a própria jornada.
Sarah nunca escondeu que seu caminho no automobilismo foi diferente do de muitos colegas.
“Sempre fui uma outsider no automobilismo”, afirma. “E acho que sempre serei. Não reclamo disso; eu abraço essa condição.”
E é justamente essa a mensagem que espera transmitir às futuras gerações.
“Espero que a próxima geração entenda que deve sonhar grande. Deve mirar tão alto quanto se tornar campeã mundial ou vencer Le Mans. Eu ainda tenho esses sonhos dentro de mim. Talvez um dia eu os realize, talvez não. Mas espero que as futuras gerações lembrem que o mais importante é continuar tentando e dedicar todos os esforços necessários para alcançar seus objetivos. E, no final de tudo, se você puder se olhar no espelho e sentir orgulho do que conquistou, isso é o que realmente importa.”
Para Sarah, porém, orgulho nunca significou passar muito tempo olhando para trás.
Quando perguntada se ainda sonha em voltar a competir em Le Mans, a resposta veio instantaneamente:
“Claro. Eu não estou apenas sonhando. Estou trabalhando duro para que isso aconteça.”
O caminho mais realista para retornar ao grid pode estar nos carros GT. Mas sua ambição mais profunda está em outro lugar.
“Sempre quis correr com protótipos”, revela. “Adoraria ter a oportunidade de competir na LMP2 e descobrir do que sou capaz nesse tipo de carro.”
E então vem a frase que resume perfeitamente quem ela é.
Todos os Grand Marshals anteriores das 24 Horas de Le Mans haviam sido vencedores da corrida.
“Meu sonho é me tornar a primeira Grand Marshal a vencer Le Mans depois de ter sido Grand Marshal.”
Para muitas pessoas, um reconhecimento como esse representaria o ápice de uma trajetória. Para Sarah, parece apenas mais uma etapa do caminho.
Ela não enxerga uma história já concluída.
Ela vê um trabalho inacabado.
Porque, para Sarah Bovy, Le Mans continua sendo o sonho.
Via Assessoria de Comunicação – Iron Dames
