SportsCar Championship
McLaren reforça ambição de entrar na classe GTP da IMSA e projeta expansão gradual no endurance
Zak Brown reafirma interesse da marca britânica em ampliar atuação nos protótipos após consolidação no WEC e presença crescente nos Estados Unidos
Em conversa antes da 64ª edição das 24 Horas de Daytona, a McLaren voltou a deixar claro que enxerga a IMSA WeatherTech SportsCar Championship como um passo natural em sua estratégia global no automobilismo de endurance. Em uma mesa redonda com a imprensa realizada antes da clássica prova da Flórida, o CEO da McLaren Racing, Zak Brown, reafirmou que existe um “forte desejo” da fabricante britânica de expandir sua presença na categoria Grand Touring Prototype (GTP), principal classe de protótipos da IMSA.
Brown esteve acompanhado de James Barclay, chefe do programa McLaren Hypercar, e de Richard Dean, coproprietário da United Autosports, equipe parceira histórica da marca nas corridas de resistência. O encontro serviu para atualizar o status dos projetos da McLaren no endurance e reforçar que, embora o foco imediato esteja no Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC), a IMSA segue no radar como um objetivo claro de médio prazo.
Desde o anúncio oficial do programa de protótipos de alto nível da McLaren, Zak Brown tem reiterado publicamente a intenção de levar a marca para as principais arenas do endurance mundial. Em Daytona, ele voltou a enfatizar que a filosofia da empresa é avançar passo a passo, garantindo estabilidade em cada categoria antes de dar o próximo movimento estratégico. Segundo Brown, o caminho seguido até aqui serve como referência: primeiro a Fórmula 1 foi colocada em uma posição sólida, depois veio a entrada na IndyCar, seguida pela consolidação desses dois projetos antes da decisão de ingressar no WEC. A lógica, segundo ele, será a mesma para a IMSA.
A discussão ganhou ainda mais profundidade com análises publicadas por veículos especializados em corridas de carros esportivos, que apontam o WEC como a base do projeto de protótipos da McLaren, com a expectativa de uma expansão futura para o campeonato norte-americano. O próprio Brown também participou de conversas e entrevistas durante o fim de semana, reforçando o interesse da marca em aumentar sua presença nos Estados Unidos, mercado considerado estratégico tanto do ponto de vista esportivo quanto comercial.
A ligação da McLaren com a IMSA, no entanto, não é recente. Em 2018, Brown levou dois pilotos da Fórmula 1 da equipe — o bicampeão mundial Fernando Alonso e o então jovem Lando Norris — para disputar as 24 Horas de Daytona com um protótipo LMP2 da United Autosports. Na época, a participação chamou atenção pela ousadia e pelo talento envolvido. Norris, ainda adolescente, impressionou ao lado de Phil Hanson e Alonso, enquanto, anos depois, o britânico se tornaria campeão mundial de Fórmula 1 e Hanson alcançaria a vitória geral nas 24 Horas de Le Mans pilotando uma Ferrari 499P.
A presença de Brown em Daytona também reflete sua relação de longa data com a prova e com o automobilismo norte-americano. Além de acompanhar de perto as atividades da United Autosports na IMSA, o dirigente esteve envolvido em diferentes frentes durante o evento. Em 2026, por exemplo, a McLaren Automotive retornará oficialmente ao WeatherTech Championship com um carro na categoria GTD PRO. A equipe RLL Team McLaren alinhará o McLaren 720S GT3 EVO nº 59, marcando mais um passo importante na ampliação da atuação da marca no cenário americano.
Na edição mais recente das 24 Horas de Daytona, a United Autosports buscava sua segunda vitória consecutiva na classe LMP2, com dois ORECA 07 em ação. Apesar de um desempenho competitivo, os carros terminaram em quarto e décimo lugares. Já o McLaren GTD PRO enfrentou contratempos técnicos, incluindo um problema no sensor de pressão dos pneus, e concluiu a prova na 12ª posição da categoria, após ter largado na primeira fila.
Fora das pistas modernas, Brown também participou do evento Historic Sportscar Racing IMSA Classic, pilotando um Jaguar XJR-16 de 1990, reforçando sua conexão pessoal com a história da IMSA. Após chegar a Daytona vindo diretamente do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o dirigente resumiu o clima do fim de semana como intenso e especial, destacando a atmosfera única da prova.
Enquanto a McLaren segue estruturando seu programa de protótipos no WEC, as declarações de Zak Brown deixam claro que a IMSA permanece como um objetivo concreto. A entrada na classe GTP pode não ter data definida, mas o interesse declarado reforça a expectativa de que, no futuro, a marca britânica volte a disputar vitórias gerais em Daytona — desta vez, no mais alto nível dos protótipos norte-americanos.
