Fórmula E
Lucas di Grassi apresenta o carro de corrida elétrico mais rápido que a F1
O campeão da Fórmula E uniu-se à Lola para criar o conceito DGR-Lola, um monoposto elétrico de “efeito solo” com aerodinâmica ativa e sucção, projetado para redefinir a eficiência e o desempenho máximo no automobilismo.
O campeão da Fórmula E da temporada 2016-17, Lucas di Grassi, revelou o projeto secreto no qual vem trabalhando intensamente no último ano. A visão ousada é um monoposto elétrico que se inspira no icônico Brabham BT46, mas com tecnologia moderna, e que, segundo o piloto, seria capaz de superar um carro de Fórmula 1 em velocidade e tornar o desempenho do espetacular McMurty Spéirling “manso”.
Di Grassi, em colaboração com sua empregadora na Fórmula E, a Lola, e outros fornecedores do setor, está determinado a transformar esse conceito em realidade nos próximos anos. O objetivo fundamental por trás do projeto é testar os limites de um carro de corrida elétrico quando liberado de muitas restrições regulamentares, respondendo à sua própria curiosidade sobre o desempenho máximo atingível.
“Você me conhece, né?”, diz di Grassi. “Eu costumo dizer: ‘Devemos ir por esse caminho, devemos fazer isso, devemos fazer aquilo’ e todo mundo é muito cético em relação às coisas que digo, porque elas devem ser inovadoras e você precisa pensar um pouco fora da caixa.” A iniciativa nasceu da necessidade de verificar se seus cálculos e pensamentos “bateriam” com os números reais, projetando um carro com o máximo de desempenho possível.

Foto: DGR-Lola
O Conceito DGR-Lola: Eficiência e Sucção
Di Grassi explica que o DGR-Lola é “basicamente uma analogia de como os carros a combustão foram projetados, ou como as regras da F1 são”. No entanto, o design adota uma filosofia completamente nova centrada na eficiência aerodinâmica para combater o principal desafio dos carros elétricos: o consumo de energia pelo arrasto.
Um ponto chave do projeto foi a eliminação das asas convencionais, focando a maior parte da força descendente (downforce) na sucção. “O ventilador é mais eficiente do que um difusor, ou seja, mais eficiente do que uma asa, por isso não faz sentido ter asas se você quiser um carro muito eficiente”, avalia. O DGR-Lola combina duas tecnologias em uma só, utilizando sucção e um difusor soprado (blown diffuser), o que “cria mais downforce e é mais eficiente”. A eficiência que suga o ar por baixo do carro com uma turbina é, de fato, cinco vezes maior do que a de uma asa.
A tecnologia utilizada não é exótica: o piloto evitou usar, por exemplo, baterias de estado sólido, que ainda estão distantes da realidade do automobilismo. Ele buscou manter o projeto realista e simplificar a engenharia não essencial, mantendo-o centrado no piloto e no desafio de condução.
Aerodinâmica Ativa e Segurança
Um diferencial crucial do DGR-Lola são as rodas cobertas, que reduzem o arrasto significativamente e melhoram a segurança ao ajudar a dissipar o spray em condições de chuva. Todo o resfriamento do carro é feito por uma entrada de ar acima da cabeça do piloto, já que os carros elétricos geram muito menos calor do que os carros de F1, e o dispositivo de sucção auxilia ativamente na refrigeração.
A posição da bateria é outro ponto de inovação. Em vez de ser posicionada atrás do piloto, como nos carros de Fórmula E atuais, a bateria do DGR-Lola fica no chão do carro, imitando os carros elétricos de produção. Essa posição, com o piso mais avançado, auxilia na distribuição de peso e no centro de pressão do difusor.
O cerne do conceito é a aerodinâmica ativa completa, controlada por duas turbinas de 30 kW. A ideia central é que, em alta velocidade, as turbinas permanecem desligadas, utilizando apenas o downforce natural. Mas, à medida que a velocidade diminui, o sistema de sucção é ativado para manter a força descendente em um nível constante. “Isso nunca foi feito no automobilismo”, explica di Grassi.
Driveability: Força G Constante
O resultado prático para o piloto é uma experiência de direção revolucionária: o carro pode ter uma força 3G constante em todas as curvas, independentemente da velocidade. “Você não precisa de mais downforce [em alta velocidade]. Este carro tem menos downforce do que um carro de F1 em curvas de alta velocidade, mas como tem muito mais downforce em curvas de baixa velocidade, é muito mais rápido lá”, afirma. O carro se torna mais rápido, mas sem necessariamente se tornar mais perigoso.
Um Carro para Le Mans?
Di Grassi acredita que a arquitetura do DGR-Lola poderia, inclusive, ser adaptada para corridas de longa duração. Além de permitir estratégias de modo de ataque na Fórmula E usando maior sucção para ultrapassagens, o conceito poderia utilizar as turbinas movidas a hidrogênio.
“Se alguém quiser construir um carro de hidrogênio com o meu conceito, você usaria uma arquitetura muito semelhante a esta, porque você poderia combinar um extensor de alcance, ou um gerador da turbina com aerodinâmica ativa e arrefecimento em uma única unidade que realmente faria o carro ter emissão zero”, explica. Isso permitiria que o carro competisse por longos períodos, como nas 24 Horas de Le Mans, necessitando apenas de reabastecimento de hidrogênio.
Di Grassi, que geralmente transforma suas ideias em realidade, está agora focado em construir um protótipo funcional, prometendo um espetáculo de engenharia e desempenho.
