Le Mans Cup
Iron Dames mostram força real em Portimão, mas punição tira pódio e encerra temporada com sabor de frustração
Porsche #83 da Proton Huber brilhou em velocidade pura na final da Michelin Le Mans Cup — porém um drive-through no fim custou o top-3 e selou o fim da campanha 2025 da dupla Marta Garcia / Vanina Ickx na GT3
A Michelin Le Mans Cup 2025 fechou seu calendário em Portimão com um daqueles domingos em que a velocidade pura não conta a história inteira — e as Iron Dames deixaram a pista portuguesa com a sensação de que a oportunidade de fechar o ano no pódio estava nas mãos até o último terço da corrida. A Proton Huber Competition levou um único Porsche 911 GT3 R para a final da classe GT3, nas cores brancas e rosa que marcaram o projeto em 2025, com uma dupla de peso: Marta Garcia — campeã inaugural da F1 Academy — e Vanina Ickx — referência histórica do endurance europeu e ex-STW/DTM. E a dupla correspondeu à expectativa: ritmo forte na classificação, ritmo ainda mais forte no domingo, e liderança sólida de prova durante boa parte da corrida portuguesa.
Na tomada de tempos, Ickx cravou o terceiro tempo em uma pista técnica e com elevação que tira o fôlego de qualquer GT3. Na largada, usou toda sua enorme experiência: arrancada limpa, leitura de espaço precisa, e liderança da categoria conquistada logo nas primeiras curvas. Não só tomou a ponta: manteve. Controlou o stint inteiro com consistência e sem riscos, segurou pressão de rivais diretas e entregou o carro líder para Garcia no segundo turno. A espanhola — hoje no topo do GT mundial aos 25 anos — fez até mais: ampliou vantagem, estabilizou ritmo e parecia ter o controle total da etapa e do pódio.
O problema — como tantas vezes acontece em endurance — não foi performance. Foi timing. Um Safety Car entrou no pior momento possível para quem liderava. Na janela de paradas, a Proton Huber decidiu parar uma volta depois da maior parte das adversárias da GT3. Ao tentar retornar, Garcia cruzou o pit lane justamente quando o sinal estava fechado. Não viu. A direção aplicou drive-through. A punição custou — nas contas dela — 45 segundos líquidos. Marta voltou à pista guiando no limite, recuperou terreno e chegou a brigar pela aproximação das duas líderes, mas bandeirada decretou apenas o quinto lugar.
A derrota doeu. E a fala pós-corrida da piloto deixa transparente o tom do momento: “Às vezes você perde porque as circunstâncias atrapalham. E isso dói. Mas também te lembra por que você luta”. No campeonato, apesar de terem ficado fora das duas provas de Le Mans, a dupla fecha a temporada em quarto lugar na tabela, com o grande momento do ano sendo a vitória em Silverstone — quando a dupla mostrou a versão mais agressiva do potencial do #83.
Para a Proton Huber Competition, Portimão encerra oficialmente o ciclo 2025 nos GT3. Um ano em que a equipe da Baviera provou repetidamente que consegue bater de frente com gigantes do GT europeu: além da constância vista na Michelin Le Mans Cup, levaram a classe GT3 na 24H Series European Series e conquistaram a vitória geral nas 12 Horas de Le Castellet. Em Portimão, faltou apenas uma coisa que eles já tinham de sobra: confirmação de resultado. Mas se a performance é o que projeta o futuro — o futuro segue aberto para as Dames e para a Proton Huber.
