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Fórmula E

Fórmula E encerra em Londres a era GEN3 e prepara chegada dos carros GEN4

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GEN3
Foto: Victor Eleuterio

Categoria elétrica disputa neste fim de semana, em Londres, a última etapa de um ciclo de quatro temporadas que revolucionou a tecnologia e o formato das corridas.

A Fórmula E vive um momento decisivo neste mês de agosto. Nos dias 15 e 16, o circuito ExCeL, em Londres, recebe a etapa que fecha a temporada 2025/26 e também encerra oficialmente a era dos carros GEN3. A corrida marca o fim de um ciclo iniciado em 2022/23 e abre caminho para a chegada da geração GEN4, prevista para dezembro deste ano.

Um novo patamar técnico para a categoria elétrica

O monoposto GEN3 estreou na Cidade do México, em janeiro de 2023, como o carro de corrida elétrico mais rápido, leve e potente já construído pela categoria. O modelo passou a entregar potência máxima de 350 kW, o equivalente a aproximadamente 470 cavalos.

Além disso, a introdução de um powertrain dianteiro somou 250 kW de capacidade de regeneração aos 350 kW já produzidos pelo conjunto traseiro. Com isso, o carro passou a contar com capacidade total de regeneração energética de 600 kW.

Por outro lado, o GEN3 abandonou os freios hidráulicos na traseira, confiando integralmente na frenagem regenerativa do motor elétrico. Essa mudança permitiu que cerca de 40% de toda a energia usada em uma corrida fosse gerada pelas próprias desacelerações do veículo, reforçando o discurso de sustentabilidade da categoria.

GEN3 Evo muda o comportamento em pista

Em 2024, a Fórmula E apresentou em Mônaco o GEN3 Evo, versão que introduziu tração nas quatro rodas — estreia inédita no automobilismo de monopostos — e reduziu o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h para 1,82 segundo, 30% mais rápido que um carro de Fórmula 1 atual.

A redução do peso total do carro, que passou a rodar com 840 quilos, facilitou as ultrapassagens em traçados urbanos estreitos. Contudo, a menor dependência de pressão aerodinâmica e os pneus de alta durabilidade da Hankook exigiram adaptações na forma de pilotar.

Dessa forma, liderar as voltas iniciais deixou de ser a estratégia primária da maioria dos competidores. Administrar o consumo de bateria nas posições intermediárias para atacar nos momentos finais se tornou a tática predominante do grid, elevando o número de trocas de posição por corrida.

Reorganização do grid e chegada de novas fabricantes

A transição para a terceira geração também promoveu mudanças entre construtores e fornecedores de motores. A Maserati retornou ao automobilismo de monopostos de nível mundial em parceria com a MSG Racing, enquanto a McLaren ingressou na categoria ao assumir a estrutura da antiga equipe Mercedes-EQ.

Enquanto isso, a ABT Cupra voltou à competição usando conjuntos propulsores fornecidos pela Mahindra. Marcas como Jaguar, Porsche, Nissan e DS Automobiles mantiveram operações com desenvolvimento próprio de motorização ao longo do ciclo.

Assim, a disputa entre equipes de fábrica e estruturas clientes se tornou um dos pontos centrais da era GEN3, com as clientes desafiando os fornecedores diretos em diversos momentos do campeonato.

Título de estreia dividido entre Andretti e Envision

A temporada inaugural teve forte domínio dos conjuntos desenvolvidos pela Porsche e pela Jaguar. A equipe cliente Andretti levou Jake Dennis ao título de pilotos após uma campanha sólida e constante.

Paralelamente, a Envision Racing, com powertrain da Jaguar, conquistou o Mundial de Equipes superando o próprio time de fábrica do construtor britânico. Pilotos experientes como Jean-Éric Vergne, Sébastien Buemi e Lucas di Grassi somaram pontos importantes em corridas tumultuadas, ampliando o número de vencedores diferentes ao longo do calendário.

Jaguar e Porsche assumem a ponta do campeonato

Nas temporadas seguintes, a Jaguar TCS Racing e a Porsche se afirmaram como as forças dominantes da era GEN3. O neozelandês Mitch Evans e o britânico Nick Cassidy formaram uma dupla vitoriosa pela Jaguar, duelando com frequência pelas primeiras posições.

Enquanto isso, Pascal Wehrlein e António Félix da Costa garantiram vitórias expressivas para a Porsche. Ao mesmo tempo, a Nissan também evoluiu: a equipe passou a somar pole positions e pódios com Oliver Rowland, encurtando a distância para as equipes líderes.

São Paulo entra no calendário

A evolução da categoria também passou pelo Brasil. A abertura da temporada 12 aconteceu no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, cidade que já recebeu duas edições do campeonato e se consolidou como uma das principais praças da Fórmula E fora da Europa.

Título decidido na etapa final

A temporada 2025/26 chega ao seu desfecho com a disputa em aberto. Jake Dennis lidera o campeonato de pilotos com 146 pontos pela Andretti Formula E e busca o segundo título da carreira no mesmo circuito onde conquistou o primeiro, em 2022/23.

O britânico chega à decisão com números expressivos no traçado londrino: duas vitórias, duas pole positions, cinco pódios e três voltas mais rápidas. A Andretti, por sua vez, ocupa a terceira posição do campeonato de equipes, com 211 pontos, impulsionada por uma sequência forte durante a passagem asiática da temporada.

O brasileiro Felipe Drugovich também disputa um objetivo direto em Londres. Na sua primeira temporada completa na categoria, o piloto lidera a classificação de estreantes, com 65 pontos, três à frente de Pepe Martí.

Despedidas marcam o fim de ciclo

Além da definição dos títulos, a etapa de Londres reserva duas despedidas simbólicas. A equipe alemã ABT Sportsline disputa suas últimas corridas no campeonato após 11 temporadas, encerrando um vínculo que atravessou diferentes fases técnicas da Fórmula E, incluindo o período como equipe de fábrica da Audi.

O mesmo fim de semana marca a aposentadoria de Lucas di Grassi, piloto brasileiro que participou de todas as temporadas desde a criação da categoria, em 2014. Antes da despedida, di Grassi ainda venceu em Xangai, tornando-se, aos 41 anos, o vencedor mais velho da história do campeonato.

Nova era chega com mudanças técnicas e de transmissão

A partir da temporada 2026/27, a Fórmula E inicia a era GEN4, com carros de 600 kW de potência — equivalente a mais de 815 cavalos — e aceleração estimada em 1,8 segundo de 0 a 100 km/h. O calendário também crescerá, com 21 corridas em 13 cidades, entre dezembro de 2026 e julho de 2027.

A nova fase ainda trará mudança na transmissão internacional. A categoria fechou acordo de vários anos com Disney e ESPN para levar o campeonato ao Disney+ em 144 territórios, incluindo os Estados Unidos via ESPN+. Dessa forma, a passagem do GEN3 para o GEN4 combina renovação tecnológica, evolução competitiva e expansão da audiência global da Fórmula E.

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