Fórmula E
Fórmula E 2026: A revolução elétrica da Temporada 12
A 12ª temporada da Fórmula E, que começa neste final de semana, inaugura uma revolução técnica, desportiva e corporativa, marcada por aceleração recorde, novas regras, estreias de fabricantes e um calendário global expandido.
A Fórmula E prepara-se para iniciar a sua 12ª temporada (2025/2026) com o pacote de mudanças mais radical desde a sua criação. Quando as luzes se apagarem em São Paulo, no dia 6 de dezembro de 2025, o campeonato não apresentará apenas novos carros, mas uma reescrita fundamental do seu regulamento desportivo e financeiro, num esforço para consolidar a posição da categoria como o laboratório mais rápido do automobilismo mundial.
A era da aceleração extrema
A grande estrela da temporada é o novo carro Gen3 Evo. A FIA homologou um pacote técnico que promete redefinir a percepção de performance elétrica. Com a ativação da tração integral (AWD) em momentos chave, o novo monolugar é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 1,86 segundos — cerca de 30% mais rápido que um carro de Fórmula 1 atual.1
“É o carro de aceleração mais rápida da FIA”, confirmam os dados técnicos, que apontam também para um kit aerodinâmico mais robusto e “agressivo”, desenhado para suportar os toques frequentes das corridas de rua sem se desintegrar, uma crítica comum ao modelo anterior.1 Os pneus Hankook iON também foram reformulados, oferecendo entre 5% a 10% mais aderência e contendo 35% de materiais reciclados.1
“Pit Boost”: O retorno dos pit stops estratégicos
No campo desportivo, a maior novidade é a implementação mandatória do “Pit Boost” (Attack Charge). Após anos de desenvolvimento, a tecnologia de carregamento ultrarrápido será utilizada em corridas selecionadas, como a rodada dupla em Jeddah.
O regulamento define que os pilotos deverão fazer uma parada obrigatória de 30 segundos para receber uma injeção de energia de 600kW (cerca de 4kWh extras). Para estas corridas específicas, a regra do “Attack Mode” muda: os pilotos terão apenas uma ativação obrigatória de potência extra, em vez das duas tradicionais, alterando profundamente a dinâmica de estratégia de pista.2
Grid em transformação
O mercado de equipes e pilotos sofreu um terremoto. A McLaren Racing confirmou a sua saída da categoria ao final da temporada atual, não tendo encontrado um comprador para a sua operação, o que deixará o grid potencialmente reduzido a 10 equipes se nenhuma solução de última hora for encontrada.
Em contrapartida, o Grupo Stellantis realizou uma manobra interna de alto perfil: a marca Maserati despede-se para dar lugar à Citroën Racing. A montadora francesa estreia com ambições imediatas de título, contratando uma “super dupla” formada pelo bicampeão Jean-Éric Vergne e pelo vice-campeão Nick Cassidy.
Outras movimentações de destaque no mercado de pilotos incluem:
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Felipe Drugovich: O brasileiro campeão da F2 assume a titularidade na Andretti, substituindo Nico Müller.
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Nico Müller: O suíço foi contratado pela equipe de fábrica da Porsche, formando dupla com Pascal Wehrlein.
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António Félix da Costa: O português muda-se para a Jaguar TCS Racing, substituindo Cassidy e juntando-se a Mitch Evans.
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Lola Yamaha ABT: A lendária Lola regressa ao motorsport em parceria com a Yamaha, contando com o veterano Lucas di Grassi e o jovem Zane Maloney.
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Kiro Race Co: A antiga equipe ERT foi comprada pela firma de investimentos Forest Road, renomeada para Kiro, e passará a usar trens de força da Porsche. Dan Ticktum e o estreante Pepe Martí serão os pilotos.
Regulamento financeiro e qualificação
A FIA também aprovou mudanças visando a inclusão e o espetáculo. No regulamento financeiro, os pagamentos de licença maternidade e paternidade foram excluídos do teto de custos (Cost Cap), removendo barreiras financeiras para a contratação e retenção de pessoal.
Na qualificação, a fase de grupos foi encurtada de 12 para 10 minutos, e a regra que obrigava os pilotos a marcarem tempo nos primeiros 6 minutos foi abolida, prometendo finais de sessão frenéticos com todos os carros na pista simultaneamente.
Calendário recorde
A temporada será a maior da história, com 17 corridas confirmadas. Além da abertura em São Paulo, o calendário destaca-se pelo retorno da China (com provas em Sanya e Xangai) e a manutenção de praças icônicas como Mônaco, Tóquio e Londres.
Com carros mais potentes, o retorno das paradas nos boxes e um grid embaralhado, a Temporada 12 promete ser um divisor de águas na história da mobilidade elétrica.
