Fórmula 1
Do kart ao título mundial: a trajetória de Kimi Antonelli até o topo da Fórmula 1
Muito antes de garantir seu primeiro título na Fórmula 1, Andrea Kimi Antonelli já colecionava troféus por onde passava. E algumas decisões no meio do caminho fizeram ele chegar à categoria mais rápido do que muitos pilotos pelo mundo.
O italiano começou criança no kart, passou pelas categorias de base e entrou no radar da Mercedes bem antes de ter idade para correr na F1.
Porém agora, aos 20 anos, Antonelli vive o capítulo mais importante da carreira: de ser campeão mundial de Fórmula 1.
OS PRIMEIROS PASSOS NO KART
Antonelli nasceu em 25 de agosto de 2006, em Bolonha, na Itália, e cresceu com o automobilismo dentro de casa. O pai, Marco Antonelli, foi piloto de turismo e fundou a própria equipe, a AKM Motorsport.
Kimi começou no kart aos 8 anos. Nos anos seguintes, venceu competições internacionais de peso, incluindo provas da WSK e a tradicional Winter Cup.
Em 2019, foi vice-campeão europeu na OK-Junior, mas os resultados mais marcantes vieram logo depois.
Em 2020, ganhou o Campeonato Europeu na categoria OK e em 2021 repetiu a dose. Com o bicampeonato, se despediu do kart como um dos grandes talentos da sua geração.
Seus resultados também chamaram a atenção de equipes da Fórmula 1. Ainda em 2017, aos 11 anos, Antonelli chegou a ser avaliado pela Ferrari e participou de atividades no simulador da equipe. Entretanto, a possibilidade de ingressar na academia italiana não avançou, já que o italiano foi considerado muito jovem naquele momento.
Pouco tempo depois, a Mercedes demonstrou interesse em seu talento. Após contatos iniciados por Toto Wolff no final de 2017, Antonelli passou a integrar o programa de jovens pilotos da equipe em 2018.

Foto: Reprodução/Tony Kart
O INÍCIO NOS MONOPOSTOS E OS DOIS TÍTULOS DA FÓRMULA 4
A estreia nos monopostos veio em 2021, nas últimas etapas da Fórmula 4 Italiana, pela Prema. Mesmo sem fazer a temporada inteira, Kimi subiu ao pódio 3 vezes e terminou em 10º.
Contudo, foi em 2022 que as expectativas começaram a crescer rapidamente. Na primeira temporada completa na F4 Italiana, ele dominou boa parte do campeonato, com 13 vitórias e o título pela Prema.

Foto: Reprodução/F4 Italian Championship
Ao mesmo tempo, correu a ADAC Fórmula 4, na Alemanha, e fez o mesmo por lá. Foram 9 vitórias e mais um campeonato. Ou seja, fechou 2022 campeão das duas F4 que disputou.
Com apenas 16 anos, já tinha dois títulos nacionais no currículo. Dava pra entender por que a Mercedes acompanhava tudo tão de perto.

Foto: Media Stellantis
MAIS DOIS TÍTULOS NA FÓRMULA REGIONAL
Em 2023, o passo seguinte foi a Fórmula Regional, com carros mais fortes e adversários mais experientes.
A primeira foi a Fórmula Regional do Oriente Médio pela Mumbai Falcons, Antonelli venceu 3 corridas, somou 7 pódios e ficou com mais um título.

Foto: Reprodução/Mumbai Falcons
Depois voltou à Europa para a Fórmula Regional Europeia (antiga FRECA), de novo pela Prema. A temporada foi disputada, mas Kimi saiu dela com 5 vitórias, 11 pódios e o segundo título do ano.
Esses resultados abriram uma porta pouco comum. Porém em vez de passar pela Fórmula 3, caminho natural para quase todo jovem piloto, ele foi direto para a Fórmula 2.

Foto: Reprodução/FRECA
O SALTO DIRETO PARA A FÓRMULA 2
Em 2024, aos 17 anos, Antonelli chegou à F2 novamente pela Prema, como companheiro de Oliver Bearman.
Aqui a história foi diferente, pois o domínio da F4 e da Regional não se repetiu de cara, e os resultados demoraram a aparecer.
Mas a virada veio em Silverstone, numa Sprint Race debaixo de chuva: primeira vitória na F2 e a volta ao topo do pódio depois de meses de adaptação. Pouco depois, na Hungria, venceu de novo na Feature Race.
Com isso, encerrou sua única temporada na categoria em sexto, com 2 vitórias e 3 pódios.

Foto: Kym Illman/Getty Images
DA FÓRMULA 2 À MERCEDES NA FÓRMULA 1
2024 também foi o ano do primeiro contato oficial de Antonelli com um fim de semana de F1.
No GP da Itália, em Monza, ele andou no primeiro treino livre pela Mercedes, na frente da torcida da casa. Mas a sessão acabou mais cedo pra ele depois de rodar na brita e bater na barreira de proteção. Mas isso não mudou em nada os planos da equipe.
No dia seguinte, a Mercedes anunciou que Antonelli seria titular em 2025, no lugar de Lewis Hamilton que já tinha confirmado a ida para a Ferrari.
Com 18 anos recém completados, o italiano ganhou um dos lugares mais cobiçados do grid, ao lado de George Russell.
A estreia foi no GP da Austrália de 2025, com um quarto lugar. O resto do ano teve de tudo, de aprendizado e dificuldades a bons resultados.
No Canadá veio o primeiro pódio na F1, e depois ele voltou ao top 3 no Brasil e em Las Vegas. Terminou o ano de estreia em 7º no campeonato, com 150 pontos.

Foto: Buda Mendes/Getty Images
DA PRIMEIRA VITÓRIA AO TÍTULO MUNDIAL
Em 2026, Antonelli chegou à segunda temporada com uma bagagem que não tinha um ano antes. Passado o batismo da estreia, estava bem mais pronto para brigar lá na frente, e a primeira vitória não demorou.
No GP da China fez sua primeira pole e, no dia seguinte, venceu pela primeira vez na F1. Aos 19 anos, virou o segundo piloto mais jovem a ganhar um GP e acabou com um jejum italiano de 20 anos sem vitórias na categoria.
Outro momento marcante foi em Monza. Largando em 19º, Kimi fez uma corrida de recuperação até a vitória e se tornou o primeiro italiano a vencer em casa desde Ludovico Scarfiotti, em 1966.
Depois de um ano de vitórias e briga pelo campeonato, ele chegou ao GP da Cidade do México com a chance de fechar a conta, e vocês já devem imaginar o final dessa história.
Largando da quarta posição, o italiano enfrentou uma corrida movimentada, marcada por interrupções, mas conseguiu garantir o terceiro lugar depois de superar Charles Leclerc após o SC.
O pódio também reuniu diferentes gerações da Fórmula 1. Max Verstappen venceu a corrida, seguido por Lewis Hamilton, enquanto Antonelli completou os três primeiros colocados.
O TÃO AGUARDADO SONHO DE MENINO
Com o título, Antonelli é o primeiro italiano campeão mundial de F1 desde Alberto Ascari, em 1953. Foram mais de sete décadas de espera para a Itália.
Mas esse feito não é uma conquista de uma temporada só. É o resultado de uma caminhada que começou na infância, rendeu títulos no Kart, 4 títulos nos monopostos de base e teve algumas escolhas ousadas para chegar na F1 mais cedo.
Do menino que começou a correr aos 8 anos ao jovem que herdou a vaga de Lewis Hamilton na Mercedes, Antonelli cresceu cercado de expectativa, mas também tropeçou e aprendeu com isso.
A F2 mostra que nem sempre o resultado vem naquela hora ou demonstra todo o talento daquele piloto, e o primeiro ano na F1 de Kimi mostrou que só velocidade não bastava, era preciso experiência e maturidade.
Foi esse caminho, com vitórias e tropeços, que levou o italiano ao maior título do automobilismo.

Foto: Reprodução/Fórmula 1
