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Considerações sobre a primeira etapa da Stock Car e os SUVs

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Foto: Rafael Gagliano/BRB Stock Car
Rafael Gagliano/BRB Stock Car

Neste domingo, 4 de maio de 2025, a Stock Car deu início a uma nova era no automobilismo brasileiro. A principal categoria do país estreou os tão aguardados SUVs que iriam substituir os longevos sedãs que foram a imagem da categoria por mais de 40 anos.

Recheada de expectativas e críticas, ao que foi demostrado em pista, a nova era da Stock Car surpreendeu aos que assistiram os novos carros em pista. É claro que a corrida não foi perfeita. Vários pilotos tiveram problemas com seus carros e não terminaram a corrida, mas há coisas a serem mencionadas e destacadas em relação ao que aconteceu em pista e ao que pode vir a acontecer no decorrer da temporada.

1. Um pessimismo exagerado

Em função da mudança radical no modelo do carro usado, muitos afirmaram que a categoria perderia a sua essência. Trocou os sedãs pelos SUVs e trocou os motores V8 pelos 4 cilindros turbo. Além disso, seguiu uma tendência de mercado recente em que os SUVs se tornaram os modelos de carros mais vendidos pelo mercado automotivo. Em uma forma de alinhar as vendas das ruas com as vitórias das pistas, a Stock Car seguiu as tendências das montadoras. Chevrolet, Toyota e Mitsubishi se utilizaram dos seus modelos de rua SUV para se apresentarem no campeonato a partir de 2025. A principal categoria do automobilismo brasileiro apenas seguiu o direcionamento do mercado automotivo e atualizou os seus carros a partir disso.

2. SUVs x Sedãs

Em função do saudosismo, muitos fãs da categoria torceram o nariz quando a Stock Car anunciou o modelo para a nova era da categoria. Seguindo as tendências do mercado automotor, a troca dos sedãs pelos SUVs parecia o movimento mais óbvio no momento. Além disso, em função de uma necessidade de atualização do campeonato como um todo, os novos modelos deram uma repaginada na imagem da categoria quando decidiu adotar os SUVs. Os antigos carros sedãs, por mais legais e nostálgicos que sejam, necessitavam de uma atualização para a competição se tornar mais alta em seu nível de competitividade. O chassi já era antigo, apenas mudando a carenagem em função dos modelos sedãs que eram vendidos pelas montadoras que participam da categoria.

3. Turbo x V8

O ronco dos motores V8 era marcante. Aos que tiveram a oportunidade de ouvir de perto já relataram o quanto era alto. Contudo, esses motores já eram antigos, grandes, pesados e barulhentos. Consumiam muito combustível e não tinham tanta eficiência em relação a performance geral deles. Era necessário uma mudança para tornar os novos carros mais eficientes, rápidos e leves. O motor turbo possui suas vantagens mecânicas para o carro em geral, além de seguir – eu sei que estou sendo repetitivo nisso – uma tendência de mercados. Os motores mais leves, de menor consumo de combustível e maior potência são os destaques das ruas em seu uso cotidiano. Para alinhar o que acontecia nas ruas, a categoria decidiu alterar os motores que se mostraram, em termos de performance geral, bem responsivos. É claro que por ser a primeira etapa, problemas nesse âmbito vão surgir, mas isso não significa que eles não sejam bons.

4. Competividade

Os novos carros da categoria se mostraram bastante favoráveis as disputas roda a roda. Ainda em função de ser a primeira etapa dos SUVs, a potência extra e a asa móvel não foram usadas, mas por conta do modelo da carroceria, vimos que há chances de disputas mais vivas pelo vácuo gerado. O antigo modelo até gerava algum vácuo, mas talvez não gere tanto quanto esse modelo SUV. Além da velocidade natural que o carro tem por causa do peso mais leve, motor mais eficiente em baixa velocidade, em curvas e com mais pressão aerodinâmica, o vácuo dá mais velocidade e abre mais margem para disputas em pista. A perspectiva de corridas mais disputadas e com mais trocas de posição é grande, tornando as provas mais atrativas para o público.

5. Margem para melhorias 

Pelo fato de ser um carro totalmente novo, a margem para melhorias ainda é muito grande. Como mencionei anteriormente, a asa móvel não foi usada nesta primeira etapa e já vimos várias disputas em pista. Além disso, por conta dos limites dos testes para a adaptação aos novos modelos, os pilotos ainda não extraíram tudo do carro. Ainda há margem para que esse carro seja mais rápido e mais competitivo. Melhorias mecânicas ainda vão surgir para que os carros sejam mais confiáveis e não aconteçam tantos abandonos como neste domingo – o que era esperado. Com isso, a categoria pode dar passos ainda mais largos para uma nova era extremamente competitiva no automobilismo brasileiro.

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