NLS
Classe AT da ADAC Nürburgring Endurance Series ganha força como vitrine de tecnologias sustentáveis
A classe AT da ADAC Nürburgring Endurance Series (NLS) está se consolidando como um verdadeiro laboratório de inovações tecnológicas sustentáveis no automobilismo. Criada inicialmente para o desenvolvimento e uso de combustíveis alternativos, hoje a categoria vai muito além desse propósito, reunindo um número crescente de equipes que apostam na sustentabilidade como pilar para o futuro das competições. “Estou muito feliz que a classe AT esteja ganhando força na NLS e se tornando cada vez mais popular”, afirma Christian Vormann, diretor esportivo da NLS. Ele destaca que, há mais de 25 anos, a série oferece, graças ao seu regulamento multiclasse aberto, a oportunidade de usar e testar tecnologias sustentáveis, algo raro em outras categorias do automobilismo. Segundo Vormann, a NLS é a plataforma ideal para desenvolver soluções voltadas ao futuro: um verdadeiro paraíso para engenheiros.
A Team Four Motors é pioneira nesse campo, promovendo a sustentabilidade nas pistas desde 2003, liderada pelo visionário Thomas von Löwis, da Menar, e pelo rapper Smudo. A equipe fez história ao vencer veículos movidos a combustíveis fósseis com um Fusca abastecido com biodiesel. Em 2006, foi lançado o Ford Mustang GT RTD, cuja carroceria utilizava matérias-primas renováveis, e, em 2017, o Porsche Cayman GT4 Clubsport, que se destacou com óleo rerrefinado, combustível E20 e componentes bioleves. A Four Motors segue inovando, agora com três veículos na classe AT: um Porsche 911 e dois Caymans. Entre os pilotos está Michelle Halder, que enaltece a combinação de emoção e sustentabilidade proporcionada pelos carros. “O som clássico do automobilismo e as disputas intensas aliados à sustentabilidade atraem até os mais apaixonados pelos motores a combustão”, ressalta Halder.
Outras equipes também investem fortemente em tecnologias limpas. A Manthey Racing, em parceria com o Grupo Griesemann, atua com um Porsche 718 Cayman GT4 RS Clubsport M que utiliza gasolina sintética e componentes de plástico reforçado com fibra de carbono reciclada (CFRP). “Estou feliz e orgulhoso de estarmos competindo com um veículo que é parcialmente feito de carbono reciclado e funciona com combustível sintético”, declara Nicolas Raeder, diretor administrativo da Manthey Racing. Para ele, a parceria com o Grupo Griesemann fortalece ainda mais a aposta na sustentabilidade.
Desde o ano passado, a Max Kruse Racing também aderiu à categoria, com até seis veículos, incluindo um Porsche 911 GT3, dois Volkswagen Golf VII, um Golf GTI Clubsport 24h e dois Audi RS3. A equipe utiliza o biocombustível Gasolina E20, desenvolvido pela Volkswagen, composto por 60% de fontes renováveis. “No início de 2024, os combustíveis alternativos ainda eram um território completamente novo para nós. Combinamos sustentabilidade com desempenho e acreditamos firmemente neste caminho para o futuro do automobilismo”, comenta Timo Schupp, diretor da equipe, que pretende expandir o uso de tecnologias sustentáveis.
A partir da terceira corrida da temporada de 2025, a Hofor Racing da Bonk Motorsport também ingressará na classe AT. A equipe, comandada por Michael Bonk, foi campeã da NLS quatro vezes e aposta no mesmo combustível sintético usado pelo Cayman do Grupo Griesemann. “Por que estamos fazendo isso? A resposta é simples: o automobilismo precisa se tornar sustentável”, afirma Bonk, que pilota um BMW M4 GT4 ao lado de Martin Kroll e Maximilian Partl.
Outro destaque é a contribuição da Goodyear, parceira da NLS e fabricante de pneus com certificação ambiental de alto nível pelo Programa Ambiental de Automobilismo da FIA. “Desenvolvemos continuamente nossos pneus para melhorar desempenho e segurança, com grande ênfase na sustentabilidade”, explica Alexander Kühn, gerente de vendas do Programa de Corrida do Cliente da Goodyear. Segundo ele, os pneus atuais possuem maior durabilidade e uma proporção significativamente maior de materiais sustentáveis e reciclados. A Four Motors, por exemplo, realiza dois turnos na desafiadora Nordschleife com o Porsche 911 GT3 Cup, utilizando pneus com 40% de materiais sustentáveis, sem perda de desempenho. Para Kühn, “o automobilismo deve ser uma plataforma para promover o desenvolvimento de matérias-primas sustentáveis e preparadas para o futuro”.
A trajetória da sustentabilidade no NLS é longa. Desde 1999, quando Paul Martin Dose competiu com biodiesel, passando pelo Audi A4 quattro STW movido a gás natural que terminou em sétimo lugar geral naquele mesmo ano, até marcos históricos como a vitória de um Volvo S40 a bioetanol em 2007 e o Porsche 911 GT3 R Hybrid em 2010. Em 2011, veio a primeira vitória de um híbrido, e, em 2013, um Aston Martin Rapide S movido a hidrogênio híbrido conquistou a classe. A evolução continua, e a NLS se firma como referência mundial na promoção e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no automobilismo.
