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FIA e ACO seguem sem acordo e futuro do WEC entra em discussão

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Foto: Andrea Lorenzina / DPPI

Contratos entre as entidades terminaram em junho de 2026, enquanto divergências sobre gestão, finanças e regulamentos aumentam as incertezas para a próxima temporada.

O futuro do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) está no centro de uma disputa entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e o Automobile Club de l’Ouest (ACO). As entidades ainda não chegaram a um novo acordo para manter a atual estrutura da competição, enquanto os contratos que regulamentavam a parceria chegaram ao fim em junho de 2026.

A negociação envolve pontos importantes para o funcionamento do campeonato. Entre eles estão a promoção do WEC, a presença das 24 Horas de Le Mans no calendário, as obrigações financeiras e a divisão de responsabilidades entre FIA e ACO.

Segundo a publicação do site Auto Motor und Sport, o jornalista Marcus Schurig relata que a relação entre as duas entidades atravessa um período de tensão. O material também mostra que a FIA poderia considerar alternativas para a promoção do campeonato caso não haja um novo entendimento.

Acordo esperado para 2026 não foi concluído

A situação já foi discutida durante as 24 Horas de Le Mans deste ano. Na ocasião, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, comentou os rumores sobre divergências com Pierre Fillon, presidente do ACO, e indicou que esperava uma solução rápida para a renovação dos contratos.

Segundo o relato apresentado na publicação do site Auto Motor und Sport, os dois dirigentes chegaram a conversar pessoalmente sobre os termos de um novo acordo. Ben Sulayem afirmou naquele momento que esperava a conclusão da negociação na semana seguinte.

Entretanto, o novo contrato não foi finalizado. Rodrigo Mattar também abordou o assunto em seu canal e destacou que a ausência de um novo acordo mantém aberta uma questão importante para a temporada de 2027.

O cenário envolve dois contratos diferentes. O primeiro estabelece a Le Mans Endurance Management (LMEM), subsidiária do ACO, como responsável pela organização do WEC. O segundo determina que as 24 Horas de Le Mans façam parte do calendário do campeonato mundial.

Questões financeiras aumentam a complexidade

Os acordos não tratam apenas da realização das provas. Eles também estabelecem contribuições financeiras para a FIA, direitos de participação nas decisões e responsabilidades atribuídas às duas organizações.

Segundo Rodrigo Mattar, a FIA vem adotando uma postura de revisão dos contratos relacionados aos campeonatos mundiais. De acordo com o jornalista, a entidade busca negociar condições que ampliem sua participação financeira e sua influência nas competições.

A discussão também envolve a forma como o ACO participa da estrutura do WEC. A entidade francesa possui uma relação histórica com as corridas de longa duração e é responsável pela organização das 24 Horas de Le Mans, uma das principais provas do calendário internacional.

Schurig, afirma em sua publicação, que o ACO teve condições financeiras diferentes das aplicadas a outros promotores de campeonatos mundiais. Essa diferença aparece como um dos elementos que ajudam a explicar a atual disputa contratual.

Além disso, a FIA pretende ampliar sua influência sobre os campeonatos que levam o status de mundial. No caso do endurance, isso coloca em discussão a divisão de poderes existente atualmente entre a federação e o ACO.

Relação com Le Mans é um dos pontos centrais

As 24 Horas de Le Mans ocupam uma posição particular nessa negociação. A prova é organizada pelo ACO e integra o calendário do WEC desde 2012, quando o campeonato mundial de endurance foi criado dentro da atual estrutura.

A história da corrida mostra que essa ligação nem sempre existiu. Le Mans passou por diferentes períodos fora dos campeonatos mundiais antes de retornar à estrutura internacional do endurance.

A prova voltou a integrar uma competição mundial em 2011, quando participou da Intercontinental Le Mans Cup. No ano seguinte, passou a fazer parte do recém-criado WEC e permaneceu como uma das etapas do campeonato. Por isso, uma eventual mudança na relação entre FIA e ACO poderia ter reflexos sobre o vínculo entre Le Mans e o WEC, e a possibilidade da prova deixar de integrar o campeonato aparece entre os cenários associados ao impasse.

Disputa também alcança os regulamentos

Outro ponto relevante está relacionado às regras técnicas. Atualmente, o WEC utiliza a categoria Hypercar, enquanto a convergência com a IMSA permite a participação de projetos desenvolvidos dentro da plataforma LMDh.

Esse sistema foi criado para permitir que fabricantes participem das principais competições de endurance com conceitos compatíveis. Dessa forma, a divisão de responsabilidades sobre os regulamentos técnicos tem impacto direto sobre o planejamento das equipes e das montadoras.

Rodrigo Mattar relacionou a disputa entre FIA e ACO ao futuro das regras dos protótipos. Segundo o jornalista, uma eventual mudança no controle dos regulamentos poderia afetar o planejamento técnico previsto para os próximos anos. A questão também envolve o regulamento de convergência entre WEC e IMSA. A estrutura atual permite a coexistência de diferentes plataformas e reúne fabricantes de diversas origens nos campeonatos de endurance.

Novo promotor aparece como possibilidade

Diante do impasse, uma das possibilidades mencionadas é a escolha de um novo promotor para o WEC, possibilitando até mesmo a possibilidade de uma licitação para definir uma empresa responsável pela organização da competição.

Atualmente, essa função está ligada à LMEM, subsidiária do ACO. Uma eventual mudança representaria, portanto, uma alteração na estrutura comercial que existe desde a criação do atual campeonato mundial de endurance. Contudo, a possibilidade de um novo promotor ainda não representa uma decisão oficial.

Crescimento do WEC aumenta importância da decisão

A discussão ocorre em um momento de expansão do campeonato. O WEC reúne diversos fabricantes na disputa das categorias de protótipos, enquanto outras marcas estão previstas para entrar no cenário do endurance nos próximos anos.

Durante o encontro com a imprensa realizado nas 24 Horas de Le Mans de 2026, Ben Sulayem destacou a necessidade de preservar o interesse dos fabricantes. O presidente da FIA também defendeu um equilíbrio entre os interesses esportivos e comerciais do campeonato.

Segundo Rodrigo Mattar, esse posicionamento reforça a importância da disputa sobre o controle do WEC. O jornalista apontou que a negociação envolve não apenas a permanência da estrutura atual, mas também a definição de quem terá maior influência sobre o campeonato.

Até o momento, não há confirmação de um rompimento definitivo entre FIA e ACO. Também não existe uma definição oficial sobre a escolha de um novo promotor ou sobre uma eventual saída das 24 Horas de Le Mans do calendário do WEC.

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