IMSA
Charlie Slater, ex-dono e dirigente da IMSA, morre aos 69 anos
Engenheiro, empresário e piloto, norte-americano comandou a IMSA nos anos 1990 e deixou marcas dentro e fora das pistas
Charlie Slater, ex-proprietário, diretor executivo e competidor da IMSA, morreu no último sábado, no sul da Flórida, aos 69 anos. O dirigente enfrentava uma longa doença e deixou uma trajetória ligada à organização e às principais competições de carros esportivos dos Estados Unidos.
A morte de Slater repercutiu entre pilotos, equipes e profissionais que fizeram parte da história da IMSA. Pessoas que trabalharam com ele ou dividiram carros ao longo das décadas destacaram sua atuação profissional, o conhecimento técnico e a relação próxima que mantinha com integrantes do paddock.
O presidente da IMSA, John Doonan, lamentou a perda e ressaltou a importância de Slater para a comunidade da categoria. Segundo ele, o dirigente representava o conceito de uma família dentro do automobilismo.
Slater comandou a IMSA nos anos 1990
Natural de Fort Lauderdale, na Flórida, Slater construiu carreira como engenheiro e executivo antes de assumir uma posição central na administração da IMSA. Em 1993, ele adquiriu a organização e permaneceu à frente da entidade até 1996.
Durante sua gestão, Slater participou de uma importante transformação no campeonato. O período incluiu a transição da categoria principal de protótipos GTP para os carros esportivos de cockpit aberto da World Sports Cars.
Além disso, Slater teve papel na chegada da Exxon como patrocinadora principal da série. Ele permaneceu no comando até vender a IMSA no segundo semestre de 1996.
Mesmo depois de deixar a direção da organização, manteve uma relação próxima com o automobilismo. O dirigente continuou frequentando o ambiente das corridas e acompanhando pilotos e equipes ao longo dos anos.
Uma trajetória também como piloto
A paixão de Slater por carros não ficou restrita ao trabalho administrativo. Ele também competiu em provas de carros esportivos e dividiu cockpits com nomes conhecidos do automobilismo norte-americano.
Entre os pilotos que foram seus companheiros estavam Bill Auberlen, Tommy Kendall e Kevin Jeannette. Slater também competiu com diferentes modelos Porsche durante sua carreira nas pistas.
Nas 24 Horas de Daytona, ele subiu ao pódio em duas oportunidades. Em 1998, terminou em terceiro lugar na classe GT3, em uma edição que reuniu nomes como Auberlen, Boris Said e Peter Cunningham.
A relação com Auberlen se tornou especialmente importante. Além de dividir um Porsche com o piloto, Slater criou uma amizade que continuou fora das pistas e teve influência direta na trajetória esportiva de Auberlen.
A ajuda que mudou a carreira de Auberlen
Auberlen, recordista de vitórias no principal campeonato da IMSA, com 65 triunfos, contou que recebeu de Slater uma oportunidade decisiva em um momento complicado de sua carreira.
Durante uma etapa em Nova Orleans, Auberlen bateu seu Mazda RX-7 durante os treinos. O carro não pôde ser recuperado a tempo para a largada, o que ameaçava sua participação em uma disputa importante pelo campeonato.
Slater conhecia Auberlen apenas de vista naquele momento. Mesmo assim, após uma breve conversa, ofereceu ao piloto seu Porsche GTU pessoal, preparado pela Alex Job Racing, para que ele pudesse disputar o Grande Prêmio de Nova Orleans.
Auberlen aproveitou a oportunidade. Ele conquistou a pole position e venceu a corrida. Segundo o próprio piloto, o resultado ajudou a chamar a atenção da BMW e acabou se tornando um ponto importante em sua trajetória no automobilismo.
Atualmente, Auberlen compete no IMSA Michelin Pilot Challenge ao lado de Samantha Tan, com o BMW M4 GT4 EVO nº 38 da ST Racing by Random Vandals.
Amizade com Alex Job marcou trajetória
Outro nome importante na história de Slater foi Alex Job. O proprietário da Alex Job Racing manteve uma amizade de décadas com o ex-dirigente da IMSA.
A equipe também teve papel na carreira esportiva de Slater. A Alex Job Racing preparou carros utilizados por ele e chegou a competir com equipamentos ligados ao piloto.
Em 1995, Slater conquistou uma vitória na classe nas 12 Horas de Sebring. Ele dividiu um Porsche da Alex Job Racing na categoria GTS-2 com Bill Auberlen e Joe Cogbill.
Ao longo de duas décadas, a Alex Job Racing acumulou dez vitórias de classe em Sebring. Job destacou o conhecimento técnico e empresarial de Slater, além da contribuição dele para a história da equipe.
A relação entre os dois continuou mesmo quando a saúde de Slater se deteriorou. Job costumava visitá-lo e manteve contato próximo durante o período de doença.
Le Mans e a lembrança de Tommy Kendall
Slater também disputou quatro edições das 24 Horas de Le Mans. Em 2000, ele dividiu um Porsche da Konrad com Tommy Kendall e Jürgen von Gartzen.
Naquela edição, o trio terminou em 14º lugar na classificação geral. Para Kendall, a experiência revelou não apenas a capacidade de Slater como piloto, mas também seu comportamento fora do carro.
Os dois não tinham uma relação próxima antes da prova. Contudo, Kendall passou a admirar a preparação, a inteligência e a postura discreta do companheiro durante o evento.
Slater era conhecido por evitar exibir sua trajetória profissional. A lembrança deixada por Kendall é de uma pessoa que preferia manter uma postura simples, mesmo diante de uma carreira relevante dentro do automobilismo.
Paddock da IMSA presta homenagens
A repercussão da morte de Slater reuniu diferentes gerações do automobilismo esportivo. Pilotos, dirigentes e amigos lembraram tanto sua contribuição profissional quanto os gestos de generosidade que marcaram sua convivência no paddock.
Entre os amigos próximos estava Stretch, figura conhecida no ambiente da IMSA. Os dois compartilhavam o interesse por carros clássicos e costumavam passar tempo juntos restaurando automóveis e conversando sobre corridas e experiências pessoais.
Stretch descreveu Slater como alguém que ultrapassava a relação de amizade. Segundo ele, o ex-dirigente era um confidente, companheiro de aventuras e uma pessoa que procurava ajudar os outros de maneira discreta.
A morte de Slater acontece durante a semana do Michelin GT Challenge no Virginia International Raceway. A IMSA seguirá com a programação da competição, mas o campeonato também levará para o circuito a lembrança de um dos nomes que fizeram parte de sua história administrativa, esportiva e humana.
