24h de Le Mans
A nova geração formada nas bases da F1 que está chegando a Le Mans
Durante décadas, a Fórmula 1 foi vista como o destino final dos pilotos formados nos monopostos. Mas o automobilismo moderno criou novos caminhos. Na edição de 2026 das 24 Horas de Le Mans, uma geração inteira de pilotos que passou pela Fórmula 2, Fórmula 3, Formula 1 Academy e academias das principais equipes da F1 estará no grid da principal corrida de endurance do mundo, reforçando uma tendência cada vez mais evidente: o endurance deixou de ser um plano alternativo e passou a ser uma escolha de carreira para alguns dos maiores talentos da base do automobilismo.
Entre os 186 pilotos inscritos para a 94ª edição das 24 Horas de Le Mans, diversos nomes chegaram a La Sarthe após anos disputando vitórias, títulos e vagas na Fórmula 1.
A nova geração chega a Le Mans
Poucos pilotos representam melhor essa transição do que Theo Pourchaire. Campeão da Fórmula 2 em 2023 e durante anos apontado como uma das principais promessas da Sauber, o francês chega a Le Mans após construir uma carreira sólida nos monopostos. Apesar do título na principal categoria de acesso à Fórmula 1, a vaga na categoria máxima nunca se concretizou.
Outro nome que chamou atenção nas categorias de base foi Victor Martins. Campeão da Fórmula 3 em 2022 e integrante da Williams Driver Academy, o francês seguiu ligado ao ambiente da Fórmula 1 antes de migrar para os protótipos. Em 2026, disputa sua primeira temporada completa na classe Hypercar com a Alpine e já aparece entre os protagonistas da equipe francesa.
A presença feminina também tem destaque nessa nova geração. Atual campeã da F1 Academy e piloto de desenvolvimento da Mercedes-AMG, Doriane Pin retorna a Le Mans para sua segunda participação na clássica prova francesa. Considerada uma das maiores promessas do automobilismo feminino mundial, a francesa continua dividindo sua trajetória entre os monopostos e o endurance.
O grid também conta com dois nomes que chegaram ao topo do automobilismo. Logan Sargeant e Jack Doohan conquistaram o sonho de correr na Fórmula 1, mas encontraram em Le Mans uma nova oportunidade para suas carreiras. Ambos desembarcam no endurance trazendo a experiência adquirida na categoria máxima e o conhecimento dos monopostos modernos.
Richard Verschoor completa a lista dos talentos mais recentes. Após diversas temporadas na Fórmula 2 e passagens pelo programa de jovens pilotos da Red Bull, o holandês construiu sua reputação como um dos competidores mais consistentes das categorias de base antes de direcionar sua carreira para o endurance.
Os que abriram o caminho
Antes dessa nova geração chegar a La Sarthe, outros pilotos já haviam mostrado que uma carreira de sucesso poderia ser construída longe da Fórmula 1.
Nyck de Vries talvez seja o melhor exemplo. Campeão da Fórmula 2 em 2019, o holandês conquistou posteriormente o título da Fórmula E, teve uma passagem pela Fórmula 1 e hoje integra o programa Hypercar da Toyota, uma das equipes mais vitoriosas da história recente do WEC.
A trajetória de Antonio Fuoco seguiu um caminho diferente. Integrante da Ferrari Driver Academy durante anos, o italiano nunca alcançou a Fórmula 1, mas se tornou uma das principais referências da Ferrari no endurance e um dos pilotos mais competitivos da classe Hypercar.
Louis Delétraz e Sean Gelael também construíram suas carreiras após passagens pela Fórmula 2. Enquanto Delétraz se consolidou como um dos principais nomes da LMP2 nos últimos anos, Gelael encontrou no endurance o ambiente ideal para alcançar os melhores resultados de sua trajetória.
O mesmo pode ser dito de Norman Nato e Ferdinand Habsburg. Ambos passaram por categorias tradicionalmente associadas ao caminho rumo à Fórmula 1 antes de encontrarem no endurance um espaço para construir carreiras duradouras e competitivas.
Um novo destino para os talentos da base
Se há alguns anos o Campeonato Mundial de Endurance era visto como uma alternativa para pilotos que não conseguiram alcançar a Fórmula 1, o grid de 2026 das 24 Horas de Le Mans mostra uma realidade diferente. A presença de campeões da Fórmula 2, vencedores da Fórmula 3, integrantes de academias de equipes da F1 e ex-pilotos da categoria máxima demonstra como o endurance se tornou um dos destinos mais desejados do automobilismo moderno.
Em um cenário onde as vagas na Fórmula 1 continuam extremamente limitadas, o WEC oferece algo que poucos campeonatos conseguem proporcionar: a oportunidade de disputar no mais alto nível do automobilismo, e cada vez mais, os talentos formados na escada da Fórmula 1 estão escolhendo esse caminho.
