DTM
Thomas Preining mira terceiro título no DTM e revela bastidores da conquista em Hockenheim
Bicampeão da categoria, austríaco relembra a decisão de 2026, comenta a evolução na carreira e destaca o desejo de continuar na parceria entre Porsche e Manthey.
Thomas Preining encerrou a temporada de 2026 do DTM com mais um título na carreira. O piloto austríaco, da Manthey, garantiu o bicampeonato após terminar em terceiro lugar na corrida decisiva, disputada no Hockenheimring. A conquista veio três anos depois de seu primeiro título, obtido em 2023.
A decisão foi marcada por disputas intensas e pressão até a última prova. Depois de um fim de semana exigente, Preining conseguiu somar os pontos necessários para confirmar a liderança do campeonato. Aos 28 anos, o piloto também passou a integrar o grupo de competidores que conquistaram o DTM pelo menos duas vezes.
Em entrevista após a conquista, o representante da Porsche falou sobre as emoções da vitória, a relação com os adversários e o desenvolvimento ao longo das temporadas. Além disso, comentou uma ligação especial recebida após o título e revelou que ainda pretende buscar um terceiro campeonato na categoria.
Celebração com os rivais marcou a conquista
Um dos momentos que Preining guarda da decisão em Hockenheim aconteceu depois da corrida, no Motodrom. O austríaco recebeu os cumprimentos de Maro Engel e Marco Wittmann diante de milhares de torcedores. Para ele, a atitude dos adversários tornou a comemoração ainda mais especial.
O piloto também explicou que a relação entre os três é marcada pelo respeito, apesar da rivalidade nas pistas. Segundo Preining, a imprensa costuma apresentar a convivência entre eles como mais difícil do que realmente é. A disputa pelo título, contudo, não impediu que os concorrentes reconhecessem o resultado.
“Jamais me esquecerei das cenas no Motodrom depois da corrida com Maro Engel e Marco Wittmann. Ser ovacionado por dezenas de milhares de pessoas é uma experiência que poucos têm a oportunidade de vivenciar.”
Preining afirmou que os adversários tinham motivos para preferir outro desfecho, mas destacou o espírito esportivo demonstrado pelos dois. Na avaliação do bicampeão, atitudes como essa também podem servir de referência para os pilotos mais jovens.
Troca de capacetes representa lembrança especial
A relação com Wittmann também resultou em uma troca de capacetes após a decisão. Preining contou que colecionar equipamentos usados por outros pilotos é uma de suas paixões. Para ele, essas peças representam recordações de diferentes momentos da carreira e das disputas com os rivais.
O austríaco lembrou que Wittmann conquistou seu primeiro título do DTM em 2014, quando ele ainda competia no kart. Doze anos depois, os dois dividiram a disputa pelo campeonato, e Preining teve a oportunidade de trocar capacetes com um dos pilotos que admirava na juventude.
“Quando Marco Wittmann ganhou seu primeiro título do DTM em 2014, eu ainda corria de kart. Tornar-me campeão doze anos depois, competindo contra ele, um dos meus maiores concorrentes, e ainda trocar capacetes com ele e ganhar seu respeito, é incrível.”
Além de Wittmann, o austríaco citou René Rast entre os nomes que acompanhava como referência no início da carreira. Segundo ele, os dois pilotos alcançaram resultados que faziam parte de seus próprios objetivos quando ainda buscava espaço no automobilismo.
Ligação de Wolfgang Porsche surpreendeu o bicampeão
Entre as mensagens recebidas depois da conquista, uma teve significado especial para Preining. O piloto contou que recebeu uma ligação do Dr. Wolfgang Porsche logo após garantir o título, antes mesmo de participar da coletiva de imprensa em Hockenheim.
O contato foi feito para parabenizá-lo pelo resultado. Preining brincou ao comentar que a ligação não tinha relação com uma dívida pela compra de um carro. Em seguida, destacou que Wolfgang Porsche acompanha o DTM de perto e que considera importante manter esse contato pessoal.
“Ele é um grande fã do DTM e é sempre especial quando ele entra em contato pessoalmente. Mantemos contato regularmente, mesmo depois de momentos difíceis.”
O piloto também lembrou que recebeu palavras de apoio após a participação da equipe nas 24 Horas de Nürburgring, quando enfrentou uma eliminação precoce. Além disso, destacou as mensagens enviadas por antigos campeões da categoria, como Mattias Ekström, Timo Scheider e René Rast.
Decisão em Hockenheim exigiu controle emocional
A conquista do título não foi tranquila. Na corrida de sábado, Preining enfrentou dificuldades logo nas primeiras voltas. O piloto saiu momentaneamente da pista e perdeu posições depois de se envolver em diferentes disputas. A situação exigiu atenção para evitar novos incidentes e preservar suas chances no campeonato.
O austríaco explicou que a estratégia inicial era manter distância dos adversários e reduzir os riscos. Entretanto, os contatos nas primeiras voltas mudaram o cenário. Ao mesmo tempo, ele sabia que precisava terminar próximo das primeiras posições para não comprometer a disputa pelo título.
A bandeira vermelha durante a prova ajudou o piloto a reorganizar os pensamentos. Ainda assim, Preining ressaltou que lidar com situações inesperadas e tomar decisões sob pressão faz parte das responsabilidades de um competidor.
“O plano era evitar ao máximo as disputas e manter uma distância segura dos outros carros. Apesar disso, sofri várias colisões nas duas primeiras voltas. Por um lado, queria minimizar os riscos, mas por outro, sabia que precisava terminar perto da frente.”
A preparação para a corrida de domingo também exigiu concentração. Preining largou da sétima posição e sabia que poderia ficar exposto a diferentes situações no meio do pelotão. Para ele, imaginar os possíveis problemas e avaliar os riscos tornou a preparação mental mais desgastante do que simplesmente tentar vencer uma corrida.
Piloto destaca evolução desde o primeiro título
Entre a conquista de 2023 e o bicampeonato de 2026, Preining acredita que se tornou um piloto mais completo. Ele apontou avanços especialmente em condições de chuva e pista mista, além de melhorias nas largadas. O austríaco também destacou a experiência acumulada em disputas diretas pelo campeonato.
O trabalho desenvolvido com a Manthey foi outro fator mencionado pelo piloto. Segundo ele, a equipe investiu tempo na preparação e na evolução do conjunto. Essa continuidade também permitiu aprimorar a comunicação entre os integrantes do projeto.
Preining citou a corrida de Sachsenring como exemplo da importância de tomar decisões corretas em situações complicadas. Na ocasião, o objetivo era evitar erros e penalidades, mas sem deixar de buscar a maior pontuação possível.
“Acho que me tornei um piloto mais completo. Melhorei significativamente, principalmente na chuva e em condições mistas. Minha equipe e eu investimos muito tempo no nosso desenvolvimento.”
O austríaco também explicou por que considera o formato do DTM adequado ao seu estilo de pilotagem. Ele se define como um competidor forte em classificações e valoriza a importância de largar nas primeiras posições nas provas sprint. As disputas diretas e a necessidade de avaliar riscos nas primeiras voltas também estão entre os aspectos que aprecia na categoria.
Parceria com a Manthey é parte importante da trajetória
Preining trabalha com a Manthey há quatro anos. Nesse período, a relação entre piloto e equipe evoluiu, segundo ele, até alcançar um nível de entendimento que facilita a comunicação durante os fins de semana de corrida.
O austríaco considera essa familiaridade um diferencial na preparação e na execução das provas. Com o passar das temporadas, os integrantes passaram a conhecer melhor as necessidades uns dos outros, o que permite resolver situações com mais naturalidade.
O bicampeão também destacou a importância de sua trajetória até chegar ao topo do DTM. Ele reconheceu que, cerca de dez anos atrás, sua carreira atravessava um momento delicado. Naquela época, conquistar um título na categoria parecia um objetivo distante.
“É um privilégio incrível. Se alguém me dissesse há dez anos que um dia eu me tornaria campeão do DTM, provavelmente teria rido da pessoa. Naquela época, minha carreira estava por um fio.”
Agora, com dois títulos em quatro anos, Preining não pretende encerrar sua trajetória na categoria. O piloto afirmou que gostaria de continuar competindo no DTM com a Porsche e a Manthey e não escondeu o desejo de conquistar um terceiro campeonato no futuro.
“Mas tenho apenas 28 anos e minha missão no DTM ainda não acabou. Conquistar um terceiro título um dia seria, sem dúvida, fantástico. Espero sinceramente que a Porsche, a Manthey e eu possamos encontrar uma maneira de eu continuar competindo no DTM no futuro.”
Preining defende investimento em jovens talentos
Na entrevista, o bicampeão também comentou o programa “Caminho para o DTM”, iniciativa da ADAC voltada ao desenvolvimento de novos pilotos. Para Preining, projetos de formação são fundamentais para garantir oportunidades a jovens que desejam avançar no automobilismo.
O austríaco ressaltou que os custos elevados da modalidade dificultam a continuidade de muitas carreiras. Em determinadas fases, o piloto precisa de apoio financeiro e estrutural para alcançar a categoria seguinte. Sem esse suporte, talentos podem deixar de avançar, mesmo apresentando potencial.
Preining lembrou que também enfrentou dificuldades semelhantes. Segundo ele, o apoio da família Lechner e do Programa Júnior da Porsche foi decisivo para dar uma nova oportunidade à sua carreira.
“Desenvolver jovens talentos é incrivelmente importante, não apenas no automobilismo. Mas, especialmente em um esporte tão caro, é absolutamente crucial. Depois de um certo ponto, muitas vezes você não consegue arcar com o próximo passo da carreira sozinho.”
Por isso, o piloto considera positiva a iniciativa da ADAC e acredita que o “Caminho para o DTM” pode fortalecer o trabalho de formação de novos competidores. A experiência pessoal, segundo ele, reforça a importância de oferecer suporte a quem busca construir uma carreira no esporte.
