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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #29: Calando os críticos

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Foto: McLaren

Poucas vezes vi uma diferença tão extraordinária quantos os vinte e três segundos colocados – um pouco menos, na verdade – por Lando Norris em Max Verstappen no Grande Prêmio da Holanda. Aí o leitor pode me rebater e falar das hegemonias do passado – seja ele distante ou recente. Mas o caso da McLaren é deveras singular: trata-se de uma equipe que começou como a pior da Fórmula 1 no ano passado e tem agora o melhor carro do grid. A surra homérica na casa de Verstappen foi de deixar qualquer um boquiaberto.

Para além da clara superioridade da McLaren, deve-se pontuar o óbvio: Norris fez uma ótima corrida. É necessário reafirmar o óbvio, sim. O que já li de gente falando bobagem sobre ele – gente com blog e crachá de jornalista – e o seu talento não cabe no gibi, tampouco nesta humilde coluna. Se jogou no lixo algumas vitórias, fez ótimas provas quando o carro não ajudava em outros tempos. É algo natural do desenvolvimento de qualquer jovem piloto. Disso seus críticos mais ácidos não falam, e cá entre nós: tem que ser muito mal-amado para não gostar de Norris.

Sim, ele largou mal, perdeu a ponta e viu Verstappen assumir a dianteira. Isso é fato inegável. Porém, manteve o tricampeão em sua alça de mira, imprimiu um ritmo forte e fez a ultrapassagem na volta 18. Com um carro bem acertado em mãos, fez o que qualquer bom piloto faria. Parece não haver nada de especial nisso, mas a narrativa cansada de que Norris é fraco esbarra nessa obviedade. Não sou pago para defendê-lo, mas continuo pontuando algo que me parece mainstream demais para ser completamente distorcido.

Venho escutando também que Oscar Piastri é mais piloto e vai superá-lo em breve. Até agora, espero ansiosamente – ou melhor, já desisti de esperar – por tal confirmação. Com o mesmo carro, o talentoso australiano não conseguiu ultrapassar Charles Leclerc e sua Ferrari combalida. Detalhe: Piastri tinha pneus mais novos, além da enorme diferença entre ambos os carros. Ele é bom e será campeão mundial no futuro, mas ainda tem muito o que aprender. E, pelo menos até agora, está abaixo de Norris. Se o primeiro adversário que se tem na F1 é o seu companheiro de equipe, está bem claro quem coloca quem no bolso.

Zandvoort é uma pista travada, estreita e com curvas que estressam barbaramente os pneus. Em suma, trata-se de um circuito exigente. Abrir uma vantagem de quase 23s é coisa para poucos. No campeonato mais disputado da história, Verstappen colocou 20s932 em Hamilton porque o tricampeão parou para calçar pneus macios e levar o ponto da volta mais rápida. Com um foguete em mão, 4s071 para Russell no ano seguinte. E em 2023 foi aquele pandemônio com chuva e diversas paradas. Portanto, não vamos dar total crédito ao carro. A Norris o que é de Norris.

A sova dada pelo conjunto Norris/McLaren deve estar perturbando a Red Bull. Não é para menos. Conforme a temporada se desenrola, o time taurino vai perdendo desempenho e vê o mundial de construtores escapando entre os dedos. É o preço que se paga também por correr com apenas um piloto – Perez não faz diferença. Mas que o carro piorou, bom, disso ninguém tem dúvida.

Verstappen é um piloto fora de série, mas também não faz milagre – por melhor que seja, ninguém faz isso na F1. Perder com tamanha diferença e comer uma poeira danada em casa deve ser frustrante para qualquer um, e no caso de um esportista aficionado pela vitória, pior ainda. É temerário imaginar uma McLaren forte o suficiente para ameaçar o quarto título mundial do leão holandês, mas o automobilismo é o esporte do imponderável. Já disse isso umas mil vezes. Não se deixem enganar ao acreditar que o campeonato já está completamente decidido. Existe a tendência, mas ela não é certeza absoluta.

Como também não é a narrativa de que Norris é fraco e nunca será um piloto de ponta. Acompanho F1 desde moleque, e embora não tenha o mesmo gabarito dos velhos leões do jornalismo especializado, posso garantir alguns prognósticos – até agora, meu índice de acerto é excelente. Sobre Norris, só posso dizer o seguinte: é talentoso e vai evoluir ao ponto de alcançar a casca suficiente para ser campeão mundial. Aos poucos, a maturidade vai chegar – e ele irá calar os críticos.

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