Entre em contato conosco

Macau

O domínio no Circuito da Guia: a história de Augusto Farfus na Copa do Mundo de GT em Macau

Publicado:

em

Farfus
Foto: BMW M Motorsport

Piloto oficial da BMW M Motorsport construiu trajetória marcada por título mundial em 2018, pódios marcantes e consistência nas ruas do tradicional traçado chinês.

O Circuito da Guia, em Macau, é reconhecido internacionalmente como um dos cenários mais exigentes e seletivos do automobilismo mundial. Com seus 6,12 quilômetros de extensão, o traçado urbano combina retas de altíssima velocidade com o trecho de montanha extremamente estreito da curva do Melco. Foi nesse ambiente desafiador que o brasileiro Augusto Farfus construiu um histórico técnico de destaque na Copa do Mundo de GT da FIA.
Como piloto de fábrica da BMW M Motorsport desde 2007, Farfus protagonizou momentos históricos nas ruas chinesas. Sua relação com a pista vai além dos resultados numéricos, englobando a transição por três gerações distintas de veículos de especificação GT3 da marca alemã. Dessa forma, o curitibano consolidou sua reputação como um dos grandes especialistas do circuito.

A estreia com a BMW Z4 GT3 no circuito chinês

A trajetória de Augusto Farfus com carros de Gran Turismo nas ruas de Macau teve início na temporada de 2014, durante a realização da tradicional Macau GT Cup. Representando a equipe asiática Team AAI ao lado de Marco Wittmann, o brasileiro esteve ao volante do modelo BMW Z4 GT3 de número 91. O carro contava com motor V8 atmosférico dianteiro e entre-eixos curto, oferecendo grande agilidade nas seções sinuosas da montanha.
Na sessão de qualificação cronometrada, Farfus assegurou o oitavo tempo no grid de largada. Contudo, demonstrando forte ritmo de corrida desde as primeiras voltas, o piloto executou ultrapassagens precisas no pelotão dianteiro. Ele cruzou a linha de chegada na quinta posição geral, sendo o melhor representante da marca bavareza na prova vencida por Maro Engel.
Dessa forma, a estreia serviu como uma base fundamental para o acúmulo de dados de telemetria. Por outro lado, a experiência inicial permitiu ao piloto mapear os pontos críticos do circuito urbano, preparando a estrutura técnica da equipe para os compromissos dos anos seguintes.

O acidente coletivo de 2017 e a reação com o Art Car

Após um período ausente da prova asiática, Farfus retornou a Macau na edição de 2017 da Copa do Mundo de GT da FIA. Desta vez, o brasileiro defendeu a equipe BMW Team Schnitzer ao volante do BMW M6 GT3 número 18. O veículo trazia uma pintura especial projetada pela artista chinesa Cao Fei, figurando como o 18º BMW Art Car da história da marca.
Na sessão classificatória de sexta-feira, o piloto anotou a sexta marca com o tempo de 2:18.075. A corrida de qualificação no sábado, no entanto, ficou marcada por um engavetamento de grandes proporções na curva da Polícia. O acidente envolveu doze carros na primeira volta e provocou a interrupção da prova. Farfus largou de forma exemplar, evitou os carros imobilizados no trecho estreito e saltou para as primeiras colocações.
Após a relargada, o brasileiro sustentou a segunda colocação até a bandeirada final, logo atrás do italiano Edoardo Mortara. Enquanto isso, na corrida principal disputada no domingo, Farfus manteve intenso duelo defensivo contra os adversários e concluiu a prova em quarto lugar geral. O resultado confirmou o excelente rendimento do pacote aerodinâmico do BMW M6 GT3 nas retas longas.

A glória máxima e o título mundial em 2018

A temporada de 2018 marcou o capítulo mais vitorioso da carreira de Augusto Farfus no Circuito da Guia. A bordo do BMW M6 GT3 número 42 operado pela BMW Team Schnitzer, o curitibano garantiu a segunda colocação no treino classificatório ao registrar o tempo de 2:17.357. Na corrida qualificatória de sábado, Farfus tomou a liderança logo na primeira curva e venceu com vantagem de 3,812 segundos sobre Raffaele Marciello.
A vitória no sábado assegurou ao brasileiro a pole position para a corrida decisiva de domingo, realizada em 18 de novembro. A data guardava um significado pessoal profundo: marcava exatamente 29 anos desde o dia em que Farfus disputou sua primeira corrida no esporte a motor, em 1990. Na pista, o brasileiro fez uma atuação perfeita ao liderar todas as 18 voltas da prova.
Mesmo sob pressão constante das Mercedes-AMG de Maro Engel e Edoardo Mortara, Farfus não cometeu erros e cruzou a linha de chegada na primeira posição para se sagrar campeão da Copa do Mundo de GT da FIA. Além disso, a conquista teve tom de despedida emocional, pois representou a última corrida de Charly Lamm como chefe da equipe Schnitzer Motorsport.

A defesa do título em 2019 e a escalada no grid

Em 2019, Augusto Farfus retornou ao território asiático para defender o título conquistado no ano anterior. Novamente em parceria com a BMW Team Schnitzer no comando do BMW M6 GT3, o fim de semana começou com desafios na qualificação. Devido ao tráfego intenso na pista, o piloto obteve apenas a 12ª posição de largada ao marcar 2:17.606.
Contudo, na corrida de qualificação disputada no sábado, o brasileiro protagonizou uma impressionante recuperação nas vias estreitas de Macau. Farfus superou oito concorrentes ao longo das doze voltas e cruzou a linha de chegada na quarta posição geral. O desempenho garantiu uma excelente posição de partida para a corrida de domingo.
Na prova principal, o curitibano manteve um ritmo constante e defensivo sob forte assédio dos adversários. Dessa forma, Farfus recebeu a bandeirada final novamente na quarta colocação, sendo mais uma vez o competidor mais bem colocado entre todos os carros da fabricante alemã no evento.

O retorno ao pódio com o BMW M4 GT3 em 2023

Após o hiato das edições internacionais em razão das restrições sanitárias globais, a Copa do Mundo de GT da FIA voltou ao calendário oficial em 2023. O evento celebrou a 70ª edição do Grande Prémio de Macau. Naquela ocasião, Farfus alinhou no grid representando a equipe alemã ROWE Racing ao volante do novo BMW M4 GT3 número 11.
Na sessão de qualificação, o brasileiro registrou o oitavo tempo com a marca de 2:15.435. Durante a corrida classificatória de sábado, o piloto avançou quatro posições para concluir o percurso na quarta colocação. A progressão na pista demonstrou a eficiência do novo motor turbo de seis cilindros em linha do modelo BMW M4 GT3.
Portanto, na corrida decisiva de domingo, Farfus adotou uma estratégia segura e precisa ao longo das 16 voltas. Ele aproveitou as disputas diretas na frente do pelotão para conquistar o terceiro lugar no pódio, terminando atrás apenas de Raffaele Marciello e Edoardo Mortara.

A batalha sob chuva e o vice-campeonato em 2024

Na edição de 2024 da prova, válida pelo 71º Grande Prémio de Macau, Farfus disputou a Copa do Mundo em parceria com a equipe asiática Team KRC, ao volante do BMW M4 GT3 número 89. O piloto registrou o quinto melhor tempo na qualificação, marcando 2:16.814, e manteve a mesma quinta posição na corrida classificatória de sábado.
A corrida principal no domingo ocorreu sob forte chuva e asfalto extremamente escorregadio. Nas voltas finais da prova, uma disputa intensa pela vitória entre Raffaele Marciello e Antonio Fuoco resultou em um incidente na freada da curva Lisboa. Com extrema perícia, Farfus desviou dos carros e assumiu a segunda colocação.
Por conseguinte, o brasileiro cruzou a linha de chegada na segunda posição geral, atrás do vencedor Maro Engel. O resultado garantiu seu terceiro pódio em corridas principais do evento mundial, reforçando sua incrível regularidade no Circuito da Guia.

A consolidação técnica e a precisão nas ruas de Macau

A trajetória de dez anos de Augusto Farfus na categoria GT3 em Macau reflete uma capacidade notável de adaptação mecânica e aerodinâmica. O traçado urbano exige um ajuste técnico delicado. Afinal, o carro precisa desenvolver alta velocidade nas retas longas e, ao mesmo tempo, oferecer precisão milimétrica nas seções onde a pista possui apenas sete metros de largura.
Enquanto o BMW Z4 GT3 se destacava em agilidade e o BMW M6 GT3 oferecia força em retas, o atual BMW M4 GT3 equilibrou a eficiência aerodinâmica com a entrega de potência. Farfus soube extrair o rendimento máximo de cada um desses projetos em diferentes fases de sua carreira.
Além disso, o piloto brasileiro jamais abandonou uma corrida principal de Gran Turismo em Macau por falha de pilotagem. Todas as suas participações terminaram entre os cinco primeiros colocados. Essa regularidade impressionante consolida o nome de Augusto Farfus na história do automobilismo internacional e do Circuito da Guia.
Compartilhe esta publicação