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Fórmula E

Di Grassi vence de forma histórica na China e dá à Lola Yamaha sua primeira vitória na Fórmula E

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Lucas Di Grassi
Foto: Lola Cars

Brasileiro larga em 18º, protagoniza grande recuperação e repete em Xangai o feito que marcou sua estreia na categoria, há 12 anos

Lucas di Grassi voltou a vencer na Fórmula E em um cenário que tem significado especial para sua carreira. O brasileiro largou apenas na 18ª posição, enfrentou uma pista molhada e deixou para os minutos finais uma sequência de ultrapassagens que o levou ao primeiro lugar no ePrix de Xangai.

A vitória aconteceu no mesmo país onde Di Grassi venceu a primeira corrida da história da Fórmula E, em Pequim, em 2014. Além disso, o resultado representou o primeiro triunfo da Lola Yamaha ABT no campeonato mundial.

O domingo também marcou mais um capítulo da temporada de despedida de Di Grassi na Fórmula E. O brasileiro já anunciou que deixará as corridas profissionais ao fim de 2026.

Estratégia coloca Di Grassi no jogo

O fim de semana havia começado de maneira complicada para a Lola Yamaha ABT. Na corrida de sábado, Di Grassi não conseguiu avançar no grid e terminou a prova na 18ª colocação, justamente onde havia largado.

No domingo, a situação se repetiu na classificação. Com o asfalto molhado e apenas 20 carros no grid, o brasileiro voltou a ocupar a 18ª posição antes da largada.

A corrida começou depois de duas voltas sob o safety car. Com a pista ainda úmida, os pilotos precisaram escolher entre aproveitar imediatamente o desempenho extra do modo ataque ou guardar as ativações para um momento mais favorável.

Di Grassi e a equipe seguiram pelo segundo caminho. O brasileiro adotou um ritmo controlado, priorizou a economia de energia e deixou as ativações do modo ataque para a parte final.

A decisão inicialmente parecia colocar o brasileiro em desvantagem. Enquanto os concorrentes que estavam na frente aproveitavam a maior tração e a potência adicional do modo ataque, Di Grassi permanecia fora da disputa pelas primeiras posições.

Contudo, a pista começou a secar e a estratégia da Lola Yamaha ABT passou a ganhar força. Mesmo sem utilizar o modo ataque durante boa parte da prova, o brasileiro já havia recuperado três posições.

Arrancada começa na volta 21

A mudança de cenário aconteceu a partir da volta 21. Di Grassi acionou seu primeiro modo ataque e encontrou espaço para avançar rapidamente pelo pelotão.

Em apenas duas voltas, o brasileiro saiu da 15ª posição para o quinto lugar. A recuperação colocou o piloto novamente na disputa pelas primeiras posições e abriu caminho para uma parte final de corrida ainda mais intensa.

Pouco depois, a direção de prova acionou a bandeira amarela em toda a pista. O motivo foi um problema na suspensão de Zane Maloney, companheiro de equipe de Di Grassi na Lola Yamaha ABT.

O período de neutralização também alterou as estratégias. Muitos adversários aproveitaram a situação para utilizar a segunda ativação do modo ataque. Di Grassi, porém, ainda tinha uma carta importante guardada.

O brasileiro havia economizado energia e preservado uma ativação para os momentos decisivos. Dessa forma, conseguiu chegar à relargada em uma posição estratégica para atacar os rivais.

Vitória veio na última volta

Após a relargada, Di Grassi acionou seu segundo modo ataque e voltou a pressionar os concorrentes. O brasileiro avançou para a segunda posição na penúltima volta.

A ultrapassagem sobre Joel Eriksson colocou o piloto em condições de disputar a vitória. Restava apenas o líder Jean-Éric Vergne entre Di Grassi e o primeiro lugar.

A decisão aconteceu no giro final. Di Grassi conseguiu superar Vergne na reta principal do circuito e assumiu a liderança do ePrix de Xangai.

A bandeirada confirmou a 14ª vitória do brasileiro na Fórmula E. O resultado também encerrou um jejum da Lola Yamaha ABT e garantiu à fabricante sua primeira vitória desde a entrada na categoria.

Logo após cruzar a linha de chegada, Di Grassi destacou pelo rádio que a equipe havia escolhido assumir riscos no momento certo.

“Há momentos na vida que você tem que assumir riscos. E hoje assumimos os riscos certos.”

Um ciclo que começou e termina na China

A vitória ganhou um significado ainda maior pela relação de Di Grassi com o país. Em 2014, o brasileiro venceu em Pequim a primeira corrida realizada pela Fórmula E.

Doze anos depois, voltou a vencer na China, desta vez em Xangai. O resultado fechou um ciclo importante da carreira do piloto dentro do campeonato.

“Depois de muito azar e de muito trabalho, conquistamos a primeira vitória da Lola. Estou muito feliz por fechar esse ciclo na China com chave de ouro, colocando a bandeira do Brasil no lugar mais alto do pódio”, afirmou Di Grassi.

O triunfo também representa um momento importante para a Lola Yamaha ABT, que vinha enfrentando dificuldades para encontrar desempenho durante o fim de semana. A equipe terminou a corrida de sábado sem pontuar e começou o domingo novamente no fundo do grid.

A recuperação de Di Grassi, portanto, transformou uma corrida que começou com poucas perspectivas em uma vitória histórica para o projeto.

Tóquio será a próxima parada

Depois da vitória em Xangai, Di Grassi terá pela frente a rodada dupla de Tóquio. O ePrix japonês está marcado para os dias 25 e 26 de julho e será a penúltima etapa da temporada 2026 da Fórmula E.

A disputa pelo campeonato também segue aberta. Pascal Wehrlein chegou à liderança após terminar o ePrix de Xangai na quinta posição. O alemão soma 141 pontos na classificação.

Enquanto isso, Di Grassi deixa a China com um resultado que acrescenta mais um capítulo à sua trajetória na categoria. A vitória veio após uma largada da 18ª posição, em uma prova marcada por pista molhada, estratégias diferentes e uma recuperação construída principalmente nos minutos finais.

A próxima etapa em Tóquio será mais uma oportunidade para o brasileiro e a Lola Yamaha ABT seguirem trabalhando antes da reta final da temporada.

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