Fórmula E
ABT encerra ciclo na Fórmula E com despedida em Londres após 11 temporadas
Equipe alemã deixará o campeonato ao fim de 2026, no mesmo fim de semana em que Lucas di Grassi disputará as últimas corridas de sua carreira profissional
A Fórmula E terá duas despedidas importantes no encerramento da temporada 2026. O fim de semana em Londres, nos dias 15 e 16 de agosto, marcará a última participação da ABT Sportsline no campeonato e também as corridas finais de Lucas di Grassi como piloto profissional.
A equipe alemã deixa a categoria após 11 temporadas. Di Grassi, por sua vez, encerra uma carreira de 24 anos e se despede da competição como o único piloto que participou de todas as temporadas desde a criação da Fórmula E.
A coincidência dá um significado especial à etapa britânica. A história dos dois começou praticamente junto com o campeonato, ainda no período de formação da categoria, em 2013.
Desde então, ABT e di Grassi dividiram vitórias, títulos e diferentes fases técnicas. O vínculo atravessou mudanças de fornecedores, períodos como equipe privada e de fábrica e até uma temporada fora do grid.
O início de uma história que mudou a categoria
A ABT foi uma das primeiras equipes a apostar na Fórmula E. O projeto entrou oficialmente no campeonato em 2013, antes da primeira corrida, sem o suporte de uma montadora.
Para a temporada inaugural, a equipe colocou Daniel Abt e Lucas di Grassi nos carros. O brasileiro rapidamente se tornou protagonista.
Na primeira corrida da história da categoria, em Pequim, di Grassi recebeu a bandeirada na primeira posição. O resultado abriu uma trajetória que teria novos capítulos importantes na China anos depois.
O piloto terminou sua temporada de estreia em terceiro lugar. Em 2015/16, ficou ainda mais perto do título e terminou como vice-campeão depois de uma decisão apertada contra Sébastien Buemi.
A conquista que faltava veio em 2016/17. Di Grassi chegou à rodada final em Montreal dez pontos atrás do rival suíço, mas conseguiu reverter a situação.
O brasileiro venceu a primeira corrida do fim de semana após largar da pole. Na prova seguinte, o sétimo lugar foi suficiente para garantir o título de pilotos.
A campanha teve ainda um obstáculo físico. Di Grassi correu em Berlim com uma perna quebrada e passou por cirurgia pouco antes da etapa final.
A chegada da Audi muda o tamanho do projeto
A ABT iniciou a Fórmula E como equipe independente. O cenário mudou antes da quarta temporada, quando a Audi assumiu o controle da operação e transformou a estrutura em seu projeto oficial na categoria.
O time passou a competir como Audi Sport ABT Schaeffler. Allan McNish também assumiu o comando da equipe, substituindo Hans-Jürgen Abt.
A primeira temporada completa como equipe de fábrica terminou com outro título. A Audi recuperou uma desvantagem de 33 pontos na rodada final de Nova York e terminou o campeonato de equipes com dois pontos de vantagem.
Daniel Abt também viveu seus principais momentos nesse período. Ele venceu na Cidade do México e se tornou o primeiro alemão a conquistar uma corrida na Fórmula E.
Pouco depois, o piloto alcançou outro feito histórico em Berlim. Com pole, vitória, volta mais rápida e liderança em todas as voltas, Abt completou o primeiro Grand Slam da categoria.
A fase de maior domínio, entretanto, não durou para sempre. Depois de dois vice-campeonatos entre as equipes, a temporada 2019/20 terminou com o sexto lugar.
O fim da Audi não encerrou a história
A Audi anunciou sua saída da Fórmula E no fim de 2020. A parceria terminou oficialmente após a temporada de 2021.
Di Grassi encerrou aquela fase com uma vitória. O brasileiro venceu a última corrida da era Audi em Berlim, enquanto René Rast formava a dupla com ele naquele momento.
Os números resumem o tamanho do período. Foram 84 corridas, 14 vitórias e 47 pódios durante os sete anos de associação com a Audi.
Do total de triunfos, 12 foram conquistados por di Grassi e dois por Daniel Abt. Posteriormente, a equipe ainda acrescentaria outros dois pódios ao histórico, com o segundo lugar em Miami, em 2025, e a vitória em Xangai, em 2026.
Depois da saída da Audi, a ABT não conseguiu manter uma operação própria no campeonato. Uma tentativa de Hans-Jürgen Abt de recomprar a equipe não avançou dentro dos prazos disponíveis.
Assim, a temporada 2021/22 foi a primeira desde o início da Fórmula E sem um carro da ABT no grid.
O retorno veio com uma nova configuração
A ausência durou apenas uma temporada. Em maio de 2022, a ABT confirmou seu retorno como equipe cliente, com apoio da Cupra e unidades de potência fornecidas pela Mahindra Racing.
O primeiro ano dessa nova fase foi marcado por dificuldades. Robin Frijns e Nico Müller formaram a dupla inicialmente, mas uma lesão de Frijns fez com que Kelvin van der Linde assumisse temporariamente seu lugar.
Para 2023/24, a equipe trouxe de volta Lucas di Grassi. O brasileiro passou a dividir o time com Müller.
O período, contudo, não apresentou os mesmos resultados da primeira passagem. O quarto lugar conquistado por Müller permaneceu como o melhor resultado da parceria entre ABT e Mahindra.
Uma nova mudança aconteceu em 2024/25. A equipe passou a trabalhar com a Lola Cars e a Yamaha Motor Company.
Zane Maloney entrou no lugar de Müller e formou dupla com di Grassi. A parceria produziu um pódio em Miami, onde o brasileiro terminou na segunda colocação.
A última temporada ganhou um novo significado
A atual temporada já começou com sinais de que seria diferente. Em outubro de 2025, a ABT confirmou sua dupla para o campeonato.
Pouco depois, em janeiro de 2026, a Lola Cars anunciou que conduziria seu programa na Fórmula E de maneira independente a partir da chegada da geração Gen4.
A decisão confirmou a saída da ABT ao término da temporada. A equipe, portanto, não seguirá para a nova fase técnica do campeonato.
Di Grassi anunciou sua própria despedida em abril, antes do fim de semana de corrida em Berlim. O brasileiro decidiu encerrar a carreira profissional após 24 anos.
Com isso, Londres reunirá dois encerramentos que atravessaram mais de uma década de Fórmula E.
Xangai acrescentou um último capítulo à história
Mesmo perto da despedida, di Grassi ainda encontrou espaço para escrever uma das páginas mais importantes de sua trajetória.
No segundo ePrix de Xangai, disputado no início de julho, o brasileiro largou da penúltima posição em uma corrida com pista molhada e condições em transformação.
A recuperação aconteceu ao longo da prova. Na volta final, di Grassi utilizou seu último Modo de Ataque para ganhar posições e assumir a liderança.
A vitória foi histórica para a Lola Yamaha ABT. O resultado representou o primeiro triunfo da equipe e também a 14ª vitória de di Grassi na Fórmula E.
Treze desses triunfos foram conquistados em estruturas ligadas à ABT. Além disso, o brasileiro tornou-se, aos 41 anos e 328 dias, o vencedor mais velho da história da categoria.
O cenário também criou uma conexão com o começo de sua trajetória. Foi na China que di Grassi venceu a primeira corrida da Fórmula E, em Pequim, em 2014.
Doze anos depois, a vitória em Xangai fechou outro ciclo no mesmo país. O triunfo aconteceu poucas semanas antes de sua despedida definitiva das pistas.
Londres fecha um capítulo de 11 temporadas
O último fim de semana da ABT na Fórmula E será também a conclusão de uma história que começou antes mesmo da primeira corrida do campeonato.
A equipe conquistou o primeiro e o último grandes momentos de sua trajetória com di Grassi. No caminho, vieram o primeiro título de pilotos da categoria, o campeonato de equipes com a Audi, vitórias de Daniel Abt e dezenas de pódios.
Hans-Jürgen Abt lembrou que a equipe assumiu o projeto sem saber qual seria o futuro da Fórmula E. Segundo ele, a categoria acabou se tornando um dos capítulos mais importantes dos 130 anos de história da empresa.
Thomas Biermaier, CEO da ABT Sportsline, também destacou a ligação construída com di Grassi ao longo dos anos. O brasileiro chegou como piloto e deixa a estrutura com uma relação que ultrapassa o ambiente das competições.
Daniel Abt, atualmente diretor de operações do Grupo ABT, também ressaltou os principais momentos vividos pela equipe. Entre eles estão a primeira vitória da categoria, os títulos e o Grand Slam conquistado em Berlim.
A saída da Fórmula E, contudo, não significa o fim da ABT no automobilismo. A equipe continuará no DTM com dois Lamborghini Temerario GT3.
Em Londres, porém, a prioridade será outra. ABT e Lucas di Grassi disputarão pela última vez uma corrida juntos no campeonato que ajudaram a construir desde os primeiros dias.
Depois de 11 temporadas, a equipe alemã fecha sua passagem pela Fórmula E. Para di Grassi, serão também as últimas voltas de uma carreira profissional iniciada há 24 anos.
